terça-feira, 27 de maio de 2014
Antônio, um brasileiro de Codó
segunda-feira, 26 de maio de 2014
MA: Moradores bloqueiam ferrovia norte-sul, em protesto contra a Suzano Papel e Celulose em João Lisboa
O objetivo foi cobrar da indústria Suzano Papel e Celulose, em Imperatriz, a conclusão da obra de dois viadutos sobre a ferrovia norte-sul, no povoado. |
Com o bloqueio, o trem que transporta celulose da indústria da Suzano em Imperatriz ao porto do Itaqui, em São Luís, parou suas atividades. |
O POVOADO CENTRO SECO PEDE SOCORRO!
quinta-feira, 22 de maio de 2014
O homem da caçamba blindada está de volta
O homem da caçamba blindada está de volta

O Partido Republicano da Ordem Social - PROS é mais uma legenda controlada pela direita brasileira. Não se sabe por que surgiu nem o que prega, a não ser o clientelismo de sempre. No Maranhão, a legenda abriga um punhado de políticos, sob a liderança do conhecido oligarca da região de Bacabal, José Vieira Lins.
A frente que apóia o candidato Flávio Dino anunciou recentemente o apoio do PROS, em tom celebrativo. É apenas um detalhe dentro da estratégia de derrotar a oligarquia mas não derrotar suas práticas. Zé Vieira passou boa parte da sua vida reproduzindo as mesmas práticas políticas da oligarquia Sarney, de quem já foi um fiel aliado. Foi prefeito e deputado federal, e já percorreu vários outros partidos, de idêntica genética fisiológica.
Um relatório da Comissão Pastoral da Terra lembra esse período histórico, que muitos querem apagar da memória do povo maranhense, para justificar uma suposta mudança que somente beneficiará os interesses das dissidências oligárquicas.
Esse documento aborda a a Destruição do Povoado Aldeia, em Bacabal, e a morte do ancião Trazibe Teixeira da Conceição e MANOEL NECO PEREIRA.
"No início da década de 80, o conflito na região de Aldeia, município de Bacabal, MARANHÃO, se acirrou e diversas famílias camponesas passaram a ser perseguidas. As violências registradas contra os trabalhadores rurais realçavam a truculência do latifúndio naquela região. A chegada do grupo SINCOL, comandada pela família Vieira Lins, originária do estado da PARAÍBA, ocasionou a invasão da localidade no ano de 1985, sob o comando do coronel Silva Junior e do governador do estado Luiz Rocha, com o objetivo claro de expulsar os trabalhadores rurais da região, favorecendo o grupo SINCOL, que tinha grandes pretensões em criar gado na região.
Contudo, a comunidade passou a se organizar politicamente, junto à Igreja católica, resistindo às investidas violentas do grupo SINCOL e do Estado do MARANHÃO, por meio de sua polícia.
Diante da falta de ação do Poder Público, frente à gravidade do conflito, estourou uma onda de violência aterrorizante e absurda na região.
No dia 22 de janeiro de 1988, no centro da cidade de Bacabal, foi assassinado MANOEL NECO PEREIRA, mais conhecido como MANOEL QUITINO, trabalhador rural e uma das lideranças do povoado Aldeia. São apontados como autores do crime, segundo INQUÉRITO POLICIAL que apurou esse fato, o fazendeiro ANANIAS VIEIRA LINS(mandante) e o executor, JOSÉ DA SILVA FILHO, vulgo ZEZINHO."
O Inquérito sequer foi concluído.
"Menos de um mês depois do assassinato de MANOEL QUINTINO, o povoado ALDEIA sofreu a invasão armada, uma das mais sangrentas atrocidade ocorridas no campo maranhense.
No dia 14 de fevereiro, domingo de carnaval, por volta das 13:30, o povoado foi invadido por quatro veículos, sendo dois deles blindados e transportando vários pistoleiros, protegidos pela blindagem, portando um grande número de armas e explosivos. Durante toda a tarde os invasores permaneceram no local, ateando fogo nas casas, saqueando tudo e atirando indiscriminadamente nos trabalhadores rurais, em velhos, crianças, homens e mulheres, de forma covarde e vil. Tudo que estivesse vivo era morto, e todos os animais, que serviam ao sustento das famílias, também foram mortos, incluindo vaca, porcos, galinhas e patos, além de animais de cargas e todo o roçado. No total, 29 casas foram destruídas, como também utensílios domésticos, móveis, vestuários e documentos pessoais. Quanto aos trabalhadores, vários ficaram feridos, inclusive o menor JOANILDO FARIAS sendo ferido à bala. O trabalhador rural TRAZIBE TEIXEIRA DA CONCEIÇÃO, de setenta e dois anos, foi assassinado com vários tiros, inclusive na cabeça.
Após as primeiras diligências da Polícia Civil ao local dos fatos, pode-se constatar o envolvimento direto de ANANIAS VIEIRA LINS, seu irmão, JOSÉ VIEIRA LINS, empresário com grande 'reputação' na cidade de Bacabal, CHICO LASSANCE E LUIS PATRÍCIO, além de RAIMUNDO COUTINHO, fazendeiro na região.
Conforme Inquérito Policial, no dia 15 de fevereiro de 1988, na fazenda Santa Tereza, de propriedade de ANANIAS VIEIRA LINS, foram apreendidas as seguintes armas: 01 Mosquetão modelo 1893; 01 Espingarda cartucheira calibre 16, cano duplo; 27 balas calibre 27mm; duas balas calibre 7,62 mm; 45 bombas de fabricação caseira; 16 galões de cinco litros contendo óleo diesel e um galão de dez litros contendo gasolina. Destaca-se que o fazendeiro ANANIAS VIEIRA LINS mantinha homens armados na região do conflito, tendo, os mesmos, ordens expressas para atirar em quem se aproximasse da área.
Uma segunda apreensão foi feita pela Polícia na fazenda TIÚBA, de propriedade de JOSÉ VIEIRA LINS. Nessa fazenda a Polícia encontrou provas cabais do envolvimento do empresário na destruição de ALDEIA. Segundo o Inquérito Policial, assim foram descritas as provas: um veículo caminhão basculante (caçamba), cor bege metálico, placa OD0503, Olho d’Água das Cunhas, Maranhão; seis chapas de aço utilizadas para proteção de elementos que foram conduzidas no referido veículo, dezena de parafusos utilizados para a fixação das chapas no veículo, dezenas de cartuchos deflagrados de vários calibres que foram encontrados no basculante do veículo; sessenta e oito pequenos pedaços de madeira com buchas de algodão enroladas com as extremidades umedecidas com óleo diesel, utilizadas para incendiar as casas do povoado Aldeia; 2 rifles de marca Puma, calibre 38; 43 cartuchos calibre 16 e nove cartuchos calibre 12; 27 balas calibre 7mm; uma bomba caseira. Todo esse material foi apreendido no dia 16 de fevereiro de 1988.
Em 1º de maço de 1988, a Polícia retornou à fazenda e foram encontrados mais armamentos, segunda conta no Inquérito Policial: 10 balas calibre 7mm; 23 balas calibre 7,62 mm, 2 cartuchos calibre 12; um cartucho calibre 20 deflagrado; um cartucho para fuzil automático; 3 espingardas marca Boito calibre 20;2 espingardas calibre 20 marca CBC, 2 espingardas calibre 12 canos duplos, marca BOITO; 2 espingardas marca Rossi, calibre 12. um rifle Puma calibre 38; um rifle Puma calibre 38; uma carabina de fabricação americana, marca USA calibre 20MI; um fuzil de repetição, de fabricação inglesa calibre 30/06 e um fuzil automático FAO F2762, modelo 964, sendo que todas as armas e munições foram encontradas no forro de madeira da casa da sede da fazenda Tiúba, de propriedade de José Vieira Lins.
Segundo exames feitos em laboratórios, das armas apreendidas na propriedade de JOSÉ VIERA LINS, quatorze delas apresentaram sinal de disparos.
A segunda apreensão de armas fez com que José Vieira Lins fugisse da cidade para a cidade de São Paulo.
Diante dos fatos e provas colhidas no Inquérito Policial, o responsável pela Delegacia Regional de Bacabal 9ª Região, no relatório do inquérito concluiu: “Diante de tudo que foi exposto, de acordo com o Art. 23, inc. IV do Código de Processo Penal, represento a v.exª., pela conveniência da decretação das prisões preventivas dos indicados JOSÉ VIEIRA LINS, ANANIAS VIERA LINS, RAIMUNDO NONATO COUTINHO, FRANCISCO SANTOS ARAÚJO, vulgo “Chico Lassance”, LUÍS FERREIRA PASSOS, vulgo “Luís Patrício” e ISMAEL FARIAS CAMPOS, vulgo ”Bele”, haja visto ter ficado devidamente provado o dolo com que os mesmo se comportaram quando praticaram os crimes. Como se pode deparar no bojo destes autos está soberbamente provado a prática dos crimes, sua existência material, e suficientes indícios de autoria, e para assegura e garantia da ordem pública e aplicação da lei penal, nos termos dos art. 34, 312 e 313, todos do Código de Processo Penal, represento pela conveniência da decretação das Prisões Preventivas dos indiciados “...
A denúncia contra FRANCISCO SANTOS ARAÚJO, LUÍS FERREIRA PASSOS e ISMAEL FARIAS CAMPOS funda-se legalmente nos artigos 121, inciso II; 129; 163, parágrafo único, inciso II e 250, §1º, inciso II, alínea “a”do Código Penal. Quanto a JOSÉ VIEIRA LINS, ANANIAS VIERA LINS, RAIMUNDO NONATO COUTINHO, foram eles incursos nas sanções dos artigos 163; 250,§1º, inciso II; 251 e 121, §2º, inciso II c/c artigo 29 da LEI Nº 3688/41. resumindo, genericamente, são os crimes de homicídio, lesão corporal, dano, incêndio, explosão.
"Passados mais de vinte anos do conflito que ceifou a vida de dois trabalhadores rurais, um ancião e outra liderança comunitária, os acusados JOSÉ VIERA LINS E ANANIAS VIERA LINS continuam livres, gozando de grande reputação social."
(...)
A nova conjuntura política no Estado é curiosa. Nem a própria oligarquia Sarney teve a coragem de trazer para seu núcleo duro os expoentes da UDR. Desde o governador José Reinaldo, esta é uma prática da dissidência oligárquica, talvez porque não conte com o povo como o principal protagonista da mudança
Mesmo na prisão uma vela pode ser acesa
“Mesmo na prisão uma vela pode ser acesa”
* Waleed Abu al Khair, advogado saudita defensor dos direitos humanos, detido no mês passado, após a quinta vista de seu julgamento, por várias acusações, entre elas “romper a lealdade com o governante e desobedecer-lhe” e não respeitar as autoridades. Escreveu este texto justo antes de ser encarcerado.
Escrever enquanto espero entrar na prisão é como despedir-se de entes queridos antes de empreender uma missão difícil e arriscada em um lugar longínquo. Não sabes sequer se conseguirá regressar ou se voltará a vê-los algum dia.
Escrevo estas palavras enquanto espero o momento em que a polícia chame e me convoque para cumprir uma pena de três meses de prisão. Mas meu encarceramento poderia prolongar-se por anos, pendente do resultado de outro julgamento por acusações políticas mais graves.
Enquanto escrevo, as ideias se amontoam na minha mente, deixando um único frágil rastro de palavras incisivas, diretas e sinceras. Estas são as palavras que me vem à mente há sete anos, quando embarquei pela primeira vez na viagem do meu trabalho pelos direitos humanos.
“Odeio alguém?” Pergunto-me, sobretudo aos que insultam a mim e a minha família, usando as palavras mais cruéis, no curso das investigações. Odeio os que me impuseram durante anos a proibição de viajar sem nenhuma razão legal? Odeio o juiz que ordenou que me encerrassem apenas porque assinei uma declaração na qual pedia julgamentos justos? Ou deveria odiar o príncipe herdeiro, cujos emissários me ameaçaram constantemente de me prender durante anos se não assinasse uma declaração jurada? Odeio os homens religiosos que redigiram informes atrozes sobre mim para as agências de segurança, cheios de mentiras e proclamando que eu era um apóstata? Ou deveria odiar as pessoas que assinam com pseudônimo nos meios de comunicação para poder mentir sobre mim e minha família e assim macular ainda mais minha reputação?
Busco no mais fundo do meu coração e vejo que não guardo ressentimento de ninguém. Dou-me conta de que, pelo contrário, lamento por eles, como lamento pelos que decidiram renunciar a sua liberdade, como o alcoólico que vaga sem rumo após entregar voluntariamente sua mente à bebida.
E me pregunto se estou preparado ou não para o que vai ocorrer. Neste momento concreto, recordo minhas razões e que a vida tem um objetivo; recordo, sim, que os que viveram para alcançar objetivos nobres e elevados têm tido mais capacidade para enfrentar as dificuldades e supera-las. Recordo sim, que se perco estas razões morrerei; no melhor dos casos, estarei no caminho da degradação. Na Arábia Saudita vivemos um desafio especial: o desafio de sermos livres e de sermos donos de nós mesmo, de nosso próprio ser interior, bem como o de ser um defensor dos direitos humanos ante um poder político que emprega todos seus recursos e sua capacidade para dominar o poder judicial e enviar-nos a prisão e silenciar nossa voz. Esse desafio não é o único, no entanto. Há um desafio social ainda maior, pois sofremos as consequências do extremismo e o estancamento que as autoridades políticas desejam perpetuar para reforçar sua própria legitimidade. As autoridades combatem estas questões, mas ao mesmo tempo tratam de mantê-las vivas para fomentar a sensação interna de que a sociedade sempre vai necessitar delas. Confiam em demostrar que o mundo não tem intenção de pressioná-las enquanto estiverem ocupadas combatendo o extremismo, como afirmam, enquanto proporcionarem petróleo às superpotências.
Assim, a nação se reduz a um materialismo vazio de significado. Enquanto o mercado petroleiro permanecer fluindo, o mundo vai fechar os olhos para o fato da Arábia Saudita continuar reprimindo a liberdade e os direitos humanos.
A exceção aqui implica um tipo de pessoa muito espiritual que sofre muito aos olhos dos demais, mas que no fundo se sente exultante e claramente feliz. Sentem-se assim simplesmente porque se apegam a grandes esperanças: resistem diante de todas as dificuldades. Contam com o apoio de ativistas pelos direitos humanos de todo o mundo e se sentem abrumadas por sua bondade e solidariedade. Uma delas disse uma vez diante de um tribunal, após ter sido ameaçada com o cárcere pelo juiz que o presidia: “Mesmo na prisão, uma vela pode ser acesa”.
O doutor Abdullah al Hamid está agora na prisão junto com seus camaradas no trabalho pelos direitos humanos. São a luz que brilha nessa escuridão. As estrelas não são vistas à luz do dia; os companheiros apenas brilham na escuridão da noite. Brilham contra a escuridão e a opressão como lutadores pelos direitos humanos, a paz social e uma pátria mais gloriosa e soberana.
As pátrias podem se encontrar aprisionadas da noite para o dia em conflitos muito difíceis; também podem converter-se em companheiras por eleição que nunca te abandonarão nem te decepcionarão. Este é o caminho de todos os camaradas e amigos, pois amam a liberdade e trabalham para ela de corpo e alma.
Posto que a liberdade se cultiva, suas sementes são todos aqueles que têm feito grandes sacrifícios e converteram o céu no limite dessa força. Criaram uma sensação de paz interior para si mesmos que apenas eles podem entender. Por isso voarei alto com eles, mesmo entre grades. Na prisão nunca necessitarei de uma janela que se abra para o céu. Não necessito uma porta para explicar-lhe ao mundo porque estou na prisão. O que necessito de verdade está dentro de nossas consciências e de todas as consciências livres.
Sempre haverá almas livres neste mundo as quais o petróleo não silenciará.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Trabalhadores resgatados da escravidão realizam encontro no Maranhão
Por Lisa Carstensen, da Repórter Brasil
Santa Luzia (MA) – Em 12 e 13 de maio, encontro realizado no Centro de Formação São Francisco, na cidade de Santa Luzia (MA), reuniu 53 trabalhadores e trabalhadoras resgatados da escravidão. Os participantes debateram juntamente com entidades da sociedade civil organizada e instituições governamentais a situação de superexploração à qual foram submetidos, e, principalmente, a melhor forma de se organizarem em seus municípios para enfrentar as formas de aliciamento, identificar casos e fazer denúncias. Também foram discutidas condições socioeconômicas atuais, os riscos de serem aliciados novamente, e indicativos e formas para fortalecer o combate.
A data não foi mera coincidência. O encontro inter-regional aconteceu num dia simbólico da história brasileira: 13 de maio, ocasião em que se comemora oficialmente a abolição da escravatura. Foi uma forma de lembrar que até hoje trabalhadores são escravizados no Maranhão e que centenas foram resgatados nos últimos anos (clique aqui ou na imagem ao lado para ver um mapa das libertações de 2003 a 2012 no Estado). As organizações e instituições públicas têm pouco conhecimento de como vivem essas pessoas depois do resgate, e a preocupação é que muitos não consigam melhorar suas condições de vida.
Além dos representantes do município, participaram também trabalhadores de cidades como Açailândia, Bom Jesus das Selvas, Monção, Pindaré-Mirim, São Mateus, Tufilândia e Zé Doca, entre outros. Também estiveram presentes representantes de Comissão Pastoral da Terra de Balsas (MA), Paróquia de Santa Luzia (MA), Ministério Publico do Trabalho, Comissão Estadual pela Erradicação do Trabalho Escravo do Maranhão (Coetrae-MA) e Secretaria Estadual de Direitos Humanos do Maranhão.
Entre os participantes estavam trabalhadores resgatados nos últimos dez anos da escravidão em diferentes atividades econômicas, sendo a maioria atuando no roço da juquira, como é conhecida a abertura do mato e limpeza de terreno para plantio de capim e formação de pastos. O objetivo principal do encontro foi motivar a criação de uma rede de trabalhadores que sejam multiplicadores e observadores, e que estejam capacitados para ajudar outros a identificarem e denunciarem a escravidão, fortalecendo assim a luta por seus direitos.
Muitos dos que passaram por essa situação no período não foram localizados. Segundo os organizadores, uma aprendizagem importante é que, se não for feita logo depois do resgate, a busca e localização desses trabalhadores podem não dar resultados. Muitos acabam indo embora das suas comunidades de origem em procura de outros serviços ou melhores condições de vida.
A primeira mesa do encontro foi aberta por Marinaldo Soares Santos, trabalhador que foi resgatado três vezes. Ele não foi o único a relatar que situações de precariedade e falta de acesso a direitos são uma constante na sua vida, mas ao falar em público acerca de suas experiências rompeu com a sensação de impotência a respeito. A agente de cidadania Elbna Carvalho, que atende as demandas dos trabalhadores de municípios da região, falou sobre o trabalho desenvolvido pelo núcleo do CDVDH/CB de Santa Luzia (MA). Na sua apresentação, reforçou a ideia de que os protagonistas do encontro são os próprios trabalhadores, pedindo que eles se apropriassem das discussões e dos espaços do evento.
Instituições locais e estaduais apresentaram seus trabalhos, discutiram desafios para o futuro e também puderam conhecer as demandas dos trabalhadores, assim como apresentar algumas ações. O procurador Marcos Antonio de Souza Rosa, do Ministério Público do Trabalho da 16ª região, organizou uma oficina para promover a familiarização com conceitos e políticas de combate ao trabalho escravo. Ele defendeu que o Brasil passa por momento histórico no que se trata de exigir direitos fundamentais e ressaltou que a educação é vista como uma das vias mas importantes para proteger futuras gerações da exploração do trabalho.
O encontro representa o começo de uma série de mobilizações de trabalhadores rurais maranhenses na procura da garantia de direitos fundamentais e trabalhistas. A equipe envolvida entende que o caminho a ser percorrido é longo, mas demonstra motivação. Representantes dos municípios citados assumiram o compromisso de atuarem como observadores e defensores de direitos humanos nas relações de trabalho no campo e na cidade.


